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A era dos Sonhos começou

Autor Cleber Galdino
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No começo, não tinha filosofia. Não tinha teoria.

No começo, não tinha filosofia.

Não tinha teoria.

Não tinha discurso bonito.

Era pedra.

Era osso.

Era sobrevivência.

A Idade da Pedra foi o nascimento do fazer. Um bando de humanos meio locos, meio gênios, aprendendo que uma pedra bem usada valia mais que mil unhas. Ali não existia futuro, só o agora. Ou você caçava, ou virava história — sem nunca ter escrito uma.

Depois veio a Idade dos Metais.

E aí, meu Irmão… a coisa começou a pegar fogo.

Bronze, ferro, lâminas afiadas e egos maiores ainda. O ser humano descobriu que podia moldar o mundo — e também destruir o outro com muito mais eficiência. Povos surgiram, cidades nasceram, impérios se levantaram sobre sangue seco. Egito, Mesopotâmia, escrita, contabilidade, poder. A humanidade saiu da pré-história direto pra carnificina organizada.

A escrita não nasceu por poesia.

Nasceu pra contar grãos, terras e escravos.

Depois a gente caiu no inferno medieval.

Espadas, cruzadas, fé forçada, bruxas queimando porque pensavam diferente. Viking invadindo, castelo caindo, ignorância institucionalizada. A espada mandava, a igreja explicava, e o povo obedecia. Pensar fora da caixa era pedir pra perder a cabeça — literalmente.

Mas o mundo nunca fica parado.

Veio a Revolução Industrial.

Carvão na veia.

Engrenagem no lugar do coração.

Tudo era cinza. Fumaça. Produção. Fábrica. Criança trabalhando. Homem virando máquina. O progresso avançava, mas a alma ficava pra trás. Produzir mais, mais rápido, mais barato. A humanidade aprendeu a fabricar tudo… menos sentido.

Então chegaram os tempos modernos.

Guerras mundiais. Ideologias brigando pelo controle da narrativa. Capitalismo, socialismo, consumo, televisão, propaganda, cores, promessas. Depois da Segunda Guerra, pra alguns o céu, pra outros um novo tipo de inferno — mais confortável, mais bonito, mais silencioso.

E agora?

Agora a gente entrou em algo totalmente diferente.

Estamos vivendo a Era dos Sonhos.

Pela primeira vez na história, não carregamos só ferramentas no bolso — carregamos todo o conhecimento humano. Erros, acertos, dores, descobertas, ciência, arte, tudo. O que antes levava uma vida inteira pra aprender, hoje cabe em minutos.

A Inteligência Artificial não amplia músculos.

Ela amplia mentes.

Ela conecta ideias. Organiza o caos. Transforma vontade em projeto. O que parecia distante virou questão de decisão. O impossível virou “ainda não tentei”.

Muitos dizem que vamos sucumbir.

Que seremos dominados pela tecnologia.

Mas a verdade é mais desconfortável.

Nunca fomos escravos das ferramentas.

Sempre fomos escravos do controle do conhecimento.

Escravidão intelectual sempre existiu. A diferença é que agora as grades estão rachando. Quanto mais a tecnologia avança, mais rotas de fuga surgem pra quem quer escapar das prisões mais antigas de todas: as prisões da mente humana.

A Era dos Sonhos não é sobre máquinas pensarem.

É sobre humanos voltarem a sonhar — e finalmente terem meios de construir.

O futuro não será decidido por chips.

Será decidido por quem escolhe pensar.

Cleber Galdino
Cleber Galdino
Eu sou um viajande nas maioneses digitais que navega pelo real e verdadeiro significado da propria existencia de algo que não existe por que tudo é uma transformação que se trasforma e que, para de se transformar quando não se transforma mais. ATOMO